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Entrevistas

SEPULCHRAL VOICE (MG)

7 de dezembro de 2021

Sepulchral Voice é uma banda de Death / Thrash Metal, formada em 1987 na cidade de Belo Horizonte / MG, pelos músicos Luiz Sepulchral (guitarra) e Pepe Salomão (baixo). Mesmo sendo uma banda veterana, eles têm apenas quatro demos em sua discografia até encerrarem as atividades após a gravação de sua última demo, “Unreal World”, em 1991/1992.

Em 2020, após deixar definitivamente o Mutilator, Luiz chamou Ronaldo de “Ron Seth” para ser o segundo guitarrista do Sepulchral Voice e com isso se concretizou a formação definitiva para a gravação do primeiro álbum de sua carreira.
“Evil Never Rests”, tão aguardado álbum de estreia lançado em junho em formato físico e em todas as plataformas tradicionais de streaming, foi gravado / produzido por André Cabelo (Chakal) em seu próprio estúdio denominado Estúdio Engenho e traz 10 poderosas faixas (4 de das regravações Demo / EP 2017) do mais puro caos violento e agressivo Death Metal mineiro!
Os dois primeiros singles, "Evil Never Sleep" e "Infernal Pain", tiveram seus videoclipes produzidos por Wanderley Perna (baixista, Genocide) e estão recebendo uma ótima recepção dos fãs de metal mais saudosos. Entrevista SEPULCHRAL VOICE respondida por Luiz Sepulchral (guitarrista e um dos fundadores)

1 - Como e quando a banda surgiu?

Iniciamos em 1987, 04 jovens com idades em torno dos 16 anos, todos vizinhos que possuíam o mesmo gosto musical. Eu já possuía algum conhecimento em violão, e resolvemos que cada um buscasse aprender algum instrumento etc. Ficou essa formação: Luiz (G), Rossano (V), Pepê (B), Bolão (D). Foi uma época bem difícil onde aparelhagem eram muito caros, não havia instrumentos de qualidade que não fossem importados, fazíamos ensaios num quarto em casa e na época acredito não ter estúdio para ensaios ou se houvessem o custo disso estaria além das nossas condições. Fizemos as 04 demos utilizando instrumentos emprestados de outras bandas onde alguém possuía uma guitarra importada etc. De todo, as dificuldades permitiram que tirássemos o máximo de nós tentando fazer um som de qualidade e acredito por conta dessas situações, o metal nacional ganhou força e uma característica peculiar. Grandes lançamentos do metal nacional ganharam destaque tanto interno como no exterior nessa época.

2 - Como foi o processo de gravação e como está a divulgação do álbum "Evil Never Rests".

Em 2015 lançamos um EP para sentirmos se aquela pegada inicial ainda estava viva dentro de nós e ao que parece sim. Ao final de 2019 gravamos o Full álbum conseguimos recolocar banda de volta à cena nacional. A sonoridade foi a esperada e com o apoio de uma gravadora comprometida na qual vem distribuindo o álbum no brasil e em países da américa do sul. Já a questão de produção foi pensada desde a concepção da capa onde o desenho foi pintado à mão. A sonoridade do álbum foi bem compreendida pelo AndréCabelo (Estúdio Engenho) que foi responsável pela produção. Ele conseguiu extrair o som que a banda gostaria de apresentar.

3 - Qual feedback vocês têm recebido do público e mídia sobre este trabalho?

O álbum recebeu boas avaliações da mídia, e o público se mostrou surpreso com a pegada da banda e boas composições. Para nós, pudemos proporcionar esse presente aos fãs que sempre aguardaram um material completo da banda.

4 - Alguma música preferida neste disco?

Pelas opiniões do público não há música de preferência comum e não há uma que seja considerada a “mais fraca” do álbum. Essa percepção do público é também sentida pela banda onde cada um dos integrantes tem a sua música
preferida.

5 - Quais são os assuntos abordados e quais fontes de inspiração para as músicas da Sepulchral Voice?

Abordamos questões contra as religiões, onde no passado as pessoas eram sacrificadas em prol dos deuses fazendo um paralelo a atual situação em que o “ritual de sangue” hoje é simbólico com o sacrifício em dinheiro aos deuses. Os riffs seguem essa temática onde a música inicia com uma bateria tribal (remetendo a ideia de ritual pagão) bases rápidas e coro marcante. letra remetendo a ideia sobre esse mal que nós humanos temos onde o prazer é a destruição do planeta pelo lucro, o egoísmo, o prazer na matança ou subjugar outros humanos, como guerras, crimes, o mal incansável. Ora pelos riffs
criados e clima da música, surge a inspiração para o assunto. Por vezes quando o Harley (vocalista) apresenta uma letra pronta, fazemos o processo inverso.

6 - Como explicar a intensidade e a energia que é transmitida pela música de vocês?

Acreditamos que aquilo que é elaborado desprendido de tendências ou modismos e pensando na execução dessas composições como será a reação do público, é a nossa química. Quando finalizamos alguma composição surgem
opiniões e um de nós tipo “essa música a galera irá repetir o coro, ou essa música terá uma roda de mosh.

7 - Qual o impacto da pandemia de covid-19 nas atividades e planos da banda para o futuro?

A pandemia afetou a data do lançamento do álbum onde existia toda uma estratégia em gerar curiosidade do público aos poucos etc. Divulgamos uma data e tivemos que fazer nota adiando por problemas de fábrica de cds etc.
Negociações (América do Sul) para apresentações ao vivo do álbum foram descartadas. Possíveis festivais e até abertura de shows de bandas internacionais e nacionais de peso foram adiados e ainda perdura a dúvida na confirmação de data. Recentemente, um show que aconteceria em fevereiro de.2022 já está com data remarcada para junho de 2022, tamanha a
insegurança. Com as opções escassas, as estratégias para divulgação foram a participação em lives, festivais online e afins. Além dessas formas que estamos inseridos, também voltamos a corresponder com outras bandas trocando
material e divulgando o trabalho mutuamente. Em relação aos planos, continuar participando destes festivais online, retomar as negociações para apresentações ao vivo.

8 - No planejamento de vocês, podemos esperar álbum novo ou turnê para 2022?

Nossa expectativa é a retomada da normalidade e frequência de shows para o segundo semestre de 2022, mas nada impede datas se confirmarem antes. Então sim, faremos apresentações em 2022. Já temos composições que possam gerar um novo álbum, mas neste caso ainda demandam melhorias nas mesmas e dependerá de como será 2022. Temos outro projeto de relançar o material antigo de demos da banda remasterizadas e com algum material novo.

9 - Vocês participaram de vários festivais online nesse ano, qual importância deles para a manutenção e visibilidade dos artistas?

Os festivais online foram o “escape” para as bandas. Foi de suma importância pra manter a cena viva e as bandas motivadas, e até gerando material novo ou remaster de composições e apresentação ao público destas. Quem sabe esse
modelo possa facilitar uma apresentação virtual de uma banda em festivais de grande porte que seria inviável ou impensado ao vivo.

10 - Podemos esperar a mesma pegada Death/Thrash nos próximos shows ao vivo?

Sem dúvida e com mais sangue nos olhos visto que a adrenalina ficou muito tempo sem ser descarregada.

11- Gostaria de deixar uma mensagem para o desgoverno ou alguém em especial?

Infelizmente, é triste termos por exemplo o álbum “Brasil”, do Ratos de Porão, que tocou nas fragilidades do país já desgovernado em 1989 e percebermos que 32 anos depois, parece que o disco acabou de ser lançado de tão atual
são as letras e críticas. Nós sempre nos posicionamos contrários ao sistema e abordamos em nossas letras, críticas ao sistema. O recado é que se fodam políticos são todos faces da mesma moeda.

12 - Obrigado pela entrevista e boa sorte!

Agradecemos a Arrepio Produções pelo espaço e oportunidade.

Fim da Entrevista

 

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