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Entrevistas

Ilton Tiger:Backdrop Falls

14 de setembro de 2020
Embora os baixistas de punk rock tenham tipicamente se mantido em papéis tradicionais em bandas, alguns poucos se destacam não só pelo seu som e estilo de seu instrumento, mas também com sua desenvoltura e conexão com o público na hora de tocar, e Ilton Tiger, baixista da Backdrop Falls não podia ser diferente. 
 
Sua energia e carisma são excelentes, e demonstram que o punk é mais do que um gênero, é uma atitude. O baixo de Tiger serve como uma âncora crucial entre o ritmo e a harmonia da banda, e tem um papel igualmente importante na definição da textura e substância do som do grupo. 
 
A banda de punk rock Backdrop Falls,  vive um ótimo momento em sua carreira desde o lançamento internacional do full album "There's No Such Place as Home", distribuído no streaming via Electric Funeral Records e com distribuição física mundial de cd e k7 pelos selos Electric Funeral Records (BRA), Dinamite Records (USA), Bomber Music (UK), Geenger Records (Croácia), Mevzu Records (Turquia), 20 Chords Records (Espanha), Duff Records (Itália), Infected Records (Portugal), Audioslam (Chile) e Razor Records (Argentina). 
 
Conversamos com Ilton Tiger, baixista da Backdrop Falls, sobre influências musicais, sua trajetória na música, backline, entre outras curiosidades. 

Entrevista com Ilton Tiger:Backdrop Falls - Entrevistas - Arrepio Produções - Patos de Minas/MG

Você e os músicos do Backdrop Falls apresentam uma conexão muito forte em suas músicas . Como que funciona a parceria de vocês como músico e amigos dentro do projeto? Como foi o convite pra entrar na banda?

Entrei na banda oficialmente em abril de 2018, antes disso, tive de substituir o antigo baixista (Erick) para um show que a banda fez em novembro de 2017, no Festival do Sol em Natal/RN, o que guardo com muito carinho, pois foi o meu primeiro show na vida. Alguns meses depois, o Matheus, com quem sempre mantive contato, me chamou para uma reunião para discutir sobre o futuro da banda, minha disponibilidade em assumir o baixo - aceito de imediato – as pretensões com a nova formação e as ações pro primeiro álbum.
 
Embora algumas músicas já estivessem prontas, consegui encontrar espaço para contribuir com alguns arranjos e isso só foi possível porque a banda possui uma dimensão experimental muito forte e sabe conciliar com as raízes e referências. Todos se dispõem a ouvir como cada um interpreta das músicas, em busca de extrair o melhor, daí foi construída a parceria.

Dentro do cenário de rock e punk brasileiro, você costuma acompanhar bandas com trabalho autoral? E sobre as estrangeiras, alguma atual que tenha lhe chamado à atenção?

O cenário autoral sempre foi meu foco. Assim que cheguei à cidade – sou de Teresina/PI – tentei descobrir quais eram as melhores bandas da cidade, quais eram os festivais e obviamente, a oferta de bandas em Fortaleza sempre é muito maior do que em outros lugares e sempre com bandas e músicos de vários estilos e de alto nível, posso citar a Damn
Youth como uma das melhores do cenário; tive o prazer de assistir o Surra tocar e a energia que dos caras é algo impressionante. Hot Water Music, Rise Against, Black Stone Cherry e Gorilla Monsoon são algumas bandas que sempre escuto nos dias de hoje, não são necessariamente novas, mas para um obcecado ouvinte de Thrash/Death, são excelentes influências, quando recorro a algo fora do contexto do metal pesado.

Que dica você daria a músicos brasileiros que tem medo de experimentar e inventar coisas novas em suas músicas?

Não tenham! Assisti, recentemente, uma entrevista do Rick Bonadio – “O Rock vai voltar?” - cuja fala endosso 100%. O Rock/Metal é algo de raízes muito fortes, o que não deve ser interpretado como petrificado ou obsoleto. Curiosamente, as bandas que ousam experimentar, com a devida competência, são as bandas que conseguem romper a resistência do público e se lançarem como novas influências e dividir palco com as
 
bandas com as quais as inspiraram a criar música. O Rock PRECISA que as pessoas o experimentem e de várias formas.

Qual modelo de baixo, cordas e amplificadores você usa? Conta pra gente a relação de amor com seu instrumento.

O baixo foi meu primeiro instrumento. No começo não tinha um e pegava emprestado (sem avisar) um Ibanez Gio de um cara que namorava minha irmã e era nosso vizinho. Depois de um tempo fui tocar guitarra, mas, nunca esqueci o peso do baixo. È um instrumento capaz de unir a harmonia e ritmo em uma música, é uma enorme responsabilidade, sem falar que não existem dois baixistas em uma banda, então é muito individualista e eu curto muito isso.
 
Atualmente eu toco um Giannini Jazz Bass modelo Gcb-08, regulado com D'Addario 0.45. Futuramente vou fazer umas modificações na captação e hardware, é um instrumento da década de 80, que aguenta as cacetadas, então é muito merecedor de um upgrade. Em casa estudo em um Peavey Max 115, que passou muito tempo no estúdio como principal e apesar do tamanho deu conta do recado; No estúdio, toco em um Laney RB4, que é muito potente e está sendo fantástico para a pré-produção do novo álbum.

Quais são as suas maiores influências musicais? Pra você qual é o maior baixista de todos os tempos?

A lista é longa: Pink Floyd - David Gilmour simplesmente não sabe fazer algo menos que extraordinário; The Who – só tem cavalo na banda; Metallica – Rip Cliff! Jason Newsted tem peso e harmonia de uma forma muito massa; Red Hot Chili Peppers – uma banda completa;
 
Eu cresci no meio da MPB e do rock nacional porque minha mãe tinha um restaurante e me lembro de um baixista que era o solista de uma banda DE TANTO QUE O CARA TOCAVA, não lembro o nome do cara, mas preciso dizer que ele foi uma das minhas maiores influências. Lary Grahan é o melhor de todos os tempos.

Entrevista com Ilton Tiger:Backdrop Falls - Entrevistas - Arrepio Produções - Patos de Minas/MG

Podemos dizer que suas linhas de baixo apresentam muita técnica e emoção. Como se dá o seu processo de criação e composição?

Podemos dizer que é mais emoção. A emoção é o que me guia e na verdade, queria poder ter mais técnica pra tentar expressar melhor o feeling no momento. Criação/composição sempre vai ser algo profundo pra mim. Preciso escutar a mesma melodia várias vezes, para destilar aquilo de melhor que possa vir a ser utilizado como união entre a harmonia e ritmo. Não gosto de ir pelo caminho mais fácil e não importa quão simples possa ser a música, pra mim, é algo que utilizou o meu melhor, pra ficar pronta.

Como a música surgiu em sua vida?

Tive uma infância complicada, logo, era natural que minha mente se enchesse de coisas complexas. Quando aprendia a tocar as músicas que faziam parte das fases que vivi, tudo aquilo que estava na minha cabeça deixava de ser um trauma, ou um pesar, e se transformava em motivação.

Tem algum show na história do Backdrop Falls que você ache que foi o melhor show?

Quando abrimos para o Face to Face. Era mais um show importante e estávamos todos muito afiados e ansiosos pra tocar.

Qual a sua faixa preferida do último disco? E por quê?

Flat on the Ground. Tem uma sonoridade animadora e ao vivo sinto todos os quatro membros unidos.
 
 
Confira o disco  "There's No Such Place as Home":  
 
 
 
Fonte: Collapse Agency
 
Foto 1:Max Bisouchet
Foto 2: André Figueiredo
 
Links da Collapse:
 
Banda:

Fim da Entrevista