Arrepio Produções
iTSITES Tecnologia
FacebookTwitterYouTube

Entrevistas

Khrophus

25 de agosto de 2016

No dia 06 de Junho último, a banda completou 23 anos de luta, e é hoje uma referência obrigatória na música extrema do Brasil!

Nessa entrevista, o trio da cidade de São José, Santa Catarina nos conta detalhes dessa vitoriosa carreira e da luta que é se manter fiel ao Underground.

Arrepio: Nos fale sobre a trajetória da banda nesses mais de 23 anos?

Adriano Ribeiro: São mais de 23 anos correndo atrás, esse é o resumo de tudo. Quando começamos tudo era muito diferente, tudo era muito difícil, e qualquer coisa que se conseguia era uma vitória. Para conseguir instrumentos e aparelhagem eram anos guardando dinheiro. Para gravar era a coisa mais cara do mundo, em fita rolo, e com nenhum estúdio especializado em rock, quem dirá em metal.... Mas acho que todas essas coisas só somaram ao nosso trabalho e outras bandas da época que passaram por isso também. Me lembro bem que para tocar na cidade vizinha era uma vez por ano e olhe lá. Hoje, se quiser, pode-se tocar toda semana. Mas desde o início fui colocando metas e objetivos e mesmo com trocas de formação conseguimos ir longe. Hoje, com essa bagagem já temos condições de sair de casa com mais tranquilidade, com melhor estrutura e organização dos eventos que participamos e também temos um público fiel que nos acompanha ao longo dos anos. Por isso, sempre primamos pela qualidade, talvez 5 minutos a mais na passagem de som vão fazer aquela diferença no som, importantíssimos para que todos saiam satisfeitos. E espero que possamos manter essa chama sempre acessa, essa gana de tocar e a alegria de estar ali compartilhando nossa música com todos os headbangers.

Arrepio: Gostaria que vocês falassem sobre o conceito do último disco “Eyes of Madness” (2013).

Carlos: Acredito que seja necessário mais de uma ouvida no CD para começar a absorver o conceito e entender as músicas e nuances contidas nele, não buscamos a complexidade nas músicas mas essa é a forma natural com que são concebidas, a capa em si, já remete ao abstrato, pode-se ver desde um olho, um rosto com máscara de ferro, trilhos de trem e também uma visão do globo terrestre em um completo caos, e assim somos no conceito, as letras do Adriano falam de forma metafórica e subjetiva sobre a nossa realidade, o dia a dia, corrupção, desigualdade, religião, dos excessos contidos nas atitudes que todo ser humano escolhe tomar… 

Arrepio: Há facilidade em passar para o papel, questionamentos pessoais ou coletivos?

Carlos: Digamos que são ambas, há facilidade de passar sim, é mais uma visão pessoal em um meio coletivo, o que nosso letrista Adriano busca, eu aqui estou analisando e dando minha concepção do que entendo e conheço dele, são questionamentos sobre um comportamento individual em meio a coletividade, ele sempre busca de forma indireta e subjetivamente além de uso de metáforas para descrever questões do dia a dia, desde social ao religioso, ele acredita que se questionar a todo momento, fazendo autorreflexão sobre os próprios atos, sobre pensamentos e sobre caminhos a seguir, se fazem constantes em suas letras.

Arrepio: Alguma regra para compor? Quais argumentos são facilitadores para se tornar uma música?

Adriano Ribeiro: A principal regra é não ter muita regra. Digo, a estrutura vem dos elementos essênciais de qualquer música, mas a liberdade de compor sem se prender a qualquer coisa é mais importante para nossa música, é um diferencial talvez. Eu trago as linhas de guitarra prontas e passo para o Carlos (Batera) e juntos vão determinando a quantidade de vezes e algumas vezes a ordem das bases. Depois de guitarra e batera prontas, o Alex coloca a voz e depois disso faz a linha de baixo, desse modo ele não fica preso na base e pode soltar a voz sem restrições de tempo e tal. Assim basicamente é o nosso modo de compor.

Arrepio: Fazer música autoral é mais difícil, vocês já tinham isso em mente quando formaram a banda?

Adriano Ribeiro: Fazer música autoral sempre é mais difícil. As bandas covers que nos digam, pegam a música prontinha, já totalmente divulgada e com público garantido. Uma música autoral precisa acima de tudo ser verdadeira, transmitir o sentimento que a banda quer passar e conquistar o seu espaço na cena musical. E sim, quando começamos a proposta era ser autoral, e fizemos música muito antes de qualquer cover que tenhamos tocado lá no início.

Arrepio: Com 3 turnês pela Europa, mais shows, a questão financeira e estrutural da banda está estabilizada?

Adriano Ribeiro: Sim, nós batalhamos para isso, e conseguimos manter uma estrutura enxuta, de qualidade e que fosse viável para todos da banda. Houve um tempo em que tínhamos até mensalidade da banda, que ajudava nos custos com materiais (camiseta, cd’s, etc...). 

Arrepio: Quais as recompensas/vantagens de ter uma banda de metal extremo?

Adriano Ribeiro: Não só de metal extremo. Acho que cada estilo tem o seu caminho a percorrer e as recompensas veem conforme o tempo, com a experiência, com as atitudes, etc... A recompensa que temos, e isso é impagável, é você ir em muitos lugares, países, e as pessoas te conhecerem, te chamarem pelo nome, pessoas que nunca vimos, e a partir daí começar novas amizades, e melhor ainda quando voltasse uma segunda, terceira vez e aquelas pessoas vão lá para te ver, para conversar com você. Outra coisa recompensatória é ouvir as pessoas curtindo, cantando, a nossa música, aquela que passamos tempo compondo, divulgando, isso é outra coisa impagável!

Arrepio: Qual visão da banda em relação à música extrema no Brasil de hoje, comparado ao início da carreira?

Adriano Ribeiro: Acredito bastante no potencial das bandas latino-americanas no geral. A qualidade das bandas tem melhorado muito e as composições têm-se mostrado mais coesas e com direcionamento. Creio que o metal extremo não só Brasileiro, como Latino-americano também, estão num nível que já poderíamos ter mais bandas estourando na cena, o que falta é o apoio que os Europeus e Estadunidenses têm. 

Arrepio: Inúmeros shows têm dado prejuízo aos promotores, é viável investir em metal no Brasil?

Carlos: Sim é sim, a pergunta que o produtor tem que fazer é: Essa banda vale o que pede? Será que essa banda lotará a casa de shows? Se as respostas forem sim, contrate essa banda, se houver dúvidas quanto a isso, melhor não fazer, as bandas têm que conscientizar que aqui não é Europa, EUA, Ásia, nada, aqui é Brasil e a realidade nos soca a cara a todo momento, um conselho aos promotores de shows é, isso é um negócio , trate como tal, imagine que é tudo um produto e que precisa se vender, deixe a emoção fora disso!!!
 

Arrepio: Falta de Público, esse é um fator a ser trabalhado, como levar as pessoas a saírem de casa?

Carlos: Promova bem o evento,  em todas plataformas possíveis, faça promoções, cobre um preço justo, pense no lado do publico, tenha bebidas a preço justo, tenha ao menos alimentação para vender, e escolha bem as bandas que assim se diminui os riscos de prejuizo, atente para exigências das bandas, algumas são puramente “cusisses”!!! 

Arrepio: Quais desafios para se manter uma banda em atividade no Brasil de hoje?

Carlos: O primeiro e mais clichê é falta de apoio total de todos os segmentos, falta de apoio do governo, falta apoio de tudo que é lado,  hoje a banda se mantêm com recursos próprios provenientes de nossos trabalhos, tiramos dinheiro do bolso para manter o Khrophus na ativa, mas com muita honra e assim o faremos pelo tempo que for necessário, já levamos o nome do nosso país e estado muito mais longe do que 90% das bandas que recebem todo apoio já o fizeram ou um dia sequer farão, mas a luta continua, temos os pés no chão e buscamos nos estabilizar profissionalmente para que assim possamos manter a banda na ativa, um dia quem sabe possamos ter algo próximo ao que a Finlândia faz hoje, um dia, um sonho, a Dream!!! 

Arrepio: Nos fale dos planos ainda para 2016?

Carlos: Há muitas propostas e conversas em andamento para 2017, para esse ano vamos finalizar a "Spreading The Madness Tour" que ainda passará pelo Paraguai no final do ano,e que já passou 2 vezes pela Argentina, 2 vezes pela Europa e também passamos pelo Uruguai além de inúmeros shows pelo nosso estado e Brasil também, vamos fazer uma camisa comemorativa ao fim da turnê com todas as datas constando nela, como já fizemos com "Presages Tour" e fez a alegria dos Bangers que nos acompanham e curtem nosso trabalho.

Arrepio: Recado final aos bangers de Plantão?

Carlos: Hoje, vivemos um momento muito delicado e que está sendo complicadíssimo se organizar eventos underground. Então, se você realmente gosta, aprecia, compareça aos eventos sempre que possível, sua presença faz toda diferença, apoie realmente a cena com todas as forças, vamos juntos as poucos deixar de ser uma contracultura e passar a ser uma cultura muito forte e comercialmente  viável, como é hoje na Europa e Estados Unidos, façamos nós a diferença!!!

Sites relacionados:
https://www.facebook.com/Khrophus/

http://khrophus.com/site/

http://www.sanguefrioproducoes.com/bandas/Khrophus/30

Fim da Entrevista

Compartilhe

 

Outras Entrevistas

Murder Worship
© 2009-2016 - Arrepio Produções - Patos de Minas - MG
FacebookTwitterFeed RSSE-mailYouTube