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Entrevistas

Ignited

27 de agosto de 2020

Banda de Heavy Metal oriunda de Balneário Camburiú, estado de Santa Catarina, e fundada em 2017.Tivemos um bate-papo bem interessante. Confiram!

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1 - A banda surgiu em 2017, pelos músicos Dalton Castro e Maurício Velasco. Nos fale dos percalços da banda ?

Dalton - Um dos grandes desafios foi se ligar nos modelos atuais de negócios na área musical com o uso constante das redes sociais, plataformas de streaming, distribuição e marketing digital em que aprendemos todo o processo de lançamento sozinhos, assim como também sacar detalhes burocráticos que só as vezes ficam esclarecidos após o erro,
por justamente não termos tido o conhecimento/experiência prévia em alguns aspectos,como por exemplo investir corretamente na divulgação, o que funciona e o que é papo para arrancar dinheiro e iludir os recém chegados na indústria musical... mas estamos aprendendo a nos virar e amadurecer o máximo que pudermos parar concretizar negócios com a banda e estabelecer nosso trabalho no mercado musical.

2 - Ao gravar o primeiro registro vocês optaram por um álbum completo e não um EP. Qual o motivo?

Mauri - Inicialmente, iríamos gravar um EP com 2 músicas. Começamos a procurar por um produtor, até que chegamos no Thiago Bianchi. Conversamos e foi ele quem nos propôs gravar um full lenght e lançar a banda já com um disco em mãos. Compomos as 10 faixas e fomos pro estúdio Fusão. Acreditamos ser a decisão mais acertada.

3 - Para gravar "Steelbound", vocês chegaram ao Thiago Bianchi (Noturnall, ex- Shaman), algum motivo especial?

Dalton - Procurávamos inicialmente um estúdio profissional e de qualidade competitiva para mixar e masterizar apenas o EP, e esse seria o motivo. O Fusão é um dos melhores estúdios de metal no país, e desejo que cresça ainda mais sua estrutura de funcionamento.

4 - Como foi a viagem para gravar no estúdio Fusão em São Paulo e como foi gravar com o Thiago Bianchi?

Dalton - Foram duas viagens na verdade, na primeira fomos todos nós e na segunda vez fomos eu e o Denis para gravar arranjos. Ambas foram viagens bem divertidas e com um bom clima entre todos. Nunca havíamos ido pra SP com esse propósito e era algo muito aguardado desde que assinamos o contrato de gravação em agosto de 2017.
 
A experiência foi muito agregadora e importante para todos nós, começando pelo convívio direto, café, estúdio, almoço, estúdio, janta, estúdio rsrs sendo tais sessões que resultaram em bastante aprendizado, pois o Thiago tem uma grande experiência e uma agilidade muito nítida para dirigir as sessões dentro do estúdio, soube muito bem captar e tomar as
decisões corretas de acordo com a abordagem que imaginávamos em relação à estética musical.
 
Com isso, conseguimos extrair detalhes muito legais lá mesmo na hora de registrar. Inclusive fizemos uma série de revisões nas letras lá em tempo real, cautelosamente mantendo o significado e trabalhando melhor as palavras.
Particularmente, a experiência de gravar guitarras com um volume que ultrapassavam duas paredes foi algo muito louco!
 
Lembrando que toda a galera que trabalha no Fusão merece nosso agradecimento também.

 

5 - Qual o significado da capa, feita pelo Brasileiro Gustavo Sazes?

Dalton - A capa é uma idealização do Gustavo, inspirado nas letras de Ignition e Steelbound que enviamos para ele dar uma olhada. Seu significado passou a existir mesmo após estar pronta e compararmos com as letras, tudo fechou!...passando a representar uma imagem de força e energia sendo forjada todos os dias de nossas vidas. Lembrando que sem essa potência de existir, ocorrendo diariamente, fica muito fácil desistir dos sonhos e se entregar ao que vier pelo caminho. Temos que abraçar aquilo que amamos fazer e não soltar mais.

6 - Depois de lançar o disco nas plataformas digitais, vocês lançaram recentemente em formato físico. Tem planos para lançá-lo no exterior nos dois formatos?

Dalton - Sim, tentamos contato com cinquenta ou mais gravadoras até agora e ainda não foi possível obter retornos promissores, ou propostas adequadas e equilibradas. Simples assim. Gostaríamos muito de ter nosso material vendido no exterior.

7 - O que os levou a lançar no formato físico pela Voice Music?

Dalton - Sempre quisemos ter o CD em mãos, seja para nós mesmos usufruirmos desse resultado assim como para promoção e vendas. Acredito que nada substitui o material físico e é realmente algo muito especial o sentimento de ouvir algo em alta qualidade, ler a letra e tomar algo para celebrar hehe cada disco lançado tem muita história por trás.
 
Fechamos o acordo de distribuição diretamente com o Silvio Golfetti (ex-Korzus) atual proprietário da gravadora e hoje temos unidades a venda em todo o Brasil graças a sua logística bem organizada.

8 - A Pandemia do covid-19 parou tudo. Como e quais planos tem a banda em relação aos shows nacionais e turnês internacionais?

Dalton - Sobre os shows nacionais estamos contactando pessoas envolvidas em organizações de eventos e buscamos apresentar nosso trabalho à eles com o intuito de engatilhar algo para o pós pandemia. Internacionalmente, acredito que quem sabe no segundo álbum com bons acordos e parcerias consigamos realizar turnês e conhecer o público em outros países, principalmente na América Latina e nos países vizinhos. Tocar fora do país é um objetivo e um sonho, certamente.

9 - O baixista da banda, que trabalha na prefeitura de Balneário Camboriú pegou covid, como foi enfrentar esse problema?

Sama - Sim, trabalho desde 2003 passando por vários setores. Nesse momento estou lotado na secretaria de compras. Sou responsável pela aquisição de insumos e serviços para toda administração municipal. O enfrentamento ao Covid começou tenso a partir de 10/3. Trabalhamos incessantemente para prover mais leitos de UTI, leitos hospitalares. Um
esforço hercúleo pois não há registro de algo semelhante no mundo em que vivemos. Ao longo da jornada acabei tendo contato com o vírus. Senti inicialmente a partir de 29/6 fraqueza, perda gradual do olfato e paladar. Consultei médicos e fiz exames. Fui medicado.
Nas duas primeiras semanas sintomas como diarreia, náuseas, vômito, cansaço, aperto no peito e febres de até 39 graus eram comuns. Mas felizmente superei. 70% do meu setor até o momento foi contaminado.

10 - Muita gente sofrendo por causa da pandemia, como a prefeitura tem lidado com esse problema aí na cidade?

Sama - O município de Balneário Camboriú é dotado de uma administração pública em evolução tecnológica contínua e transparente. Foram tomadas diversas medidas como apoio financeiro a famílias carentes durante a pandemia, ampliação de número de leitos de UTI e estruturação hospitalar para fazer frente ao excesso de demanda. Ações de conscientização. Barreiras sanitárias. Apoio presencial e virtual ao grupo de risco, pacientes e famílias.

11 - Gostaria que nos contasse como foi o show de abertura do Noturnall com Mike Portnoy em Porto Alegre?

Dalton - Foi muito louco, viajamos daqui com parte do equipamento que foi usado por todas as bandas de abertura e pelo guitarrista do Noturnall, Mike Orlando. Haviam várias pessoas na organização do evento e a experiência foi de estar num ambiente profissional em um palco onde nomes clássicos como Deep Purple e Judas Priest já tocaram certa vez.
 
Sinceramente eu não fazia ideia do que iria rolar, (além de saber as músicas que iria tocar rsrs) ...procurei ser o mais aberto e tranquilo possível para aprender a me portar corretamente nas diversas situações que podem ocorrer em um evento desse porte.
 
Realizamos a filmagem do nosso show na íntegra, e a minha namorada Catia, registrou dezenas de fotos do nosso show.
Tocamos meio na correria pois havia um cronograma bem definido e vários músicos para se prepararem no camarim e no backstage...acredito que todas as bandas de abertura fizeram um grande trabalho naquela noite, DarkShip, Bruthus e nós.
 
Na viagem de volta, a van surfou inúmeras vezes na BR-101 com uma chuva tinhosa na madrugada, mais adiante lembro-me de descermos às seis da manhã num local chamado Engenho e de pedir um pastel de camarão.

12 - SteelBound ficou em nono lugar nos melhores do ano da Revista Roadie Crew. Como receberam essa notícia?

Dalton - Foi uma excelente notícia, ficamos muito felizes realmente e motivados para fazer mais! Muito lisonjeiro mesmo estar entre os nomes que ficaram entre os melhores álbuns de 2019 pela RC, estamos orgulhosos disso e agradecemos a consideração logo de início.

13 - Vocês tem algum projeto paralelo em andamento? alguma versão acústica?

Dalton - Eu escrevo algumas músicas instrumentais com o foco na guitarra, mas ainda não tive coragem de realmente concluí-las e lançá-las apropriadamente rsrs. Sobre versões acústicas, estamos tentando elaborar algo para uma das faixas do álbum, pode ser que dê certo!

14 - Há intenção de fazer gravações alternativas para um futuro lançamento, teria algum cover?

Dalton - Estamos pensando em algum lançamento intermediário entre o primeiro e segundo álbum, algo para anteceder um maior próximo passo em relação ao segundo disco.

15 - Qual o relacionamento de vocês com a cena local, com os produtores e bandas?

Dalton - Temos passado a conhecer várias bandas da região e pessoas envolvidas com a música pesada por aqui, inclusive gostaria de agradecer ao Wander da rádio Rock Mania que sempre toca o nosso som e nos ajuda a promover o trabalho. Também temos procurado contribuir com a divulgação de outras bandas, compartilhando e estando ativo nas redes sociais contribuindo da melhor forma possível pois existem várias bandas com potencial de crescimento aqui pela região. Inclusive criei uma playlist no Spotify chamada 'Brazilian Metal Factory' onde já constam mais de 160 bandas nacionais, sendo a maioria bandas em ascensão. Estamos fazendo nossa parte de igual para igual.

16 - Quais as influências de cada um e qual objetivo de vocês com a música?

Dalton - Acredito que as principais influências de todos nós convergem nas bandas de Heavy Metal anos 80 até final de 90 aproximadamente. Da minha parte ouço bastante bandas novas de diferentes subgêneros do metal, além de ser muito influenciado por certos guitarristas como Tony Iommi, Steve Vai, Marty Friedman, e também acho sensacional os
discos do Andy James, Jeff Loomis, Devin Townsend e obviamente do Kiko Loureiro que contribui muito para o ensinamento analítico de técnicas de guitarra. Meu objetivo com a música é construir uma carreira baseada em boa música e bons relacionamentos, podendo sempre ajudar quem estiver objetivos semelhantes.

17 - Poderiam falar das bandas anteriores que vocês tocaram?

Ainda em relação a pergunta anterior:

Denis - Me inspiro muito pelo rock anos 70 e heavy metal tradicional. O objetivo é mostrar aos amantes de rock e metal que existem bandas novas que podem figurar entre os grandes, dando continuidade ao ciclo existencial da música pesada.
 
Dalton - Eu tive algumas tentativas de bandas no colégio por volta de 2000/2001, mas que nunca deram em nada. Somente em 2004 na cidade de Cruz Alta-RS, passei a conhecer a galera da Herege, que eram o Maurício, Denis e Rodrigo Dantas (ex-baixista), o qual tocamos juntos até 2009. Sama tocava em diversas bandas da região do oeste catarinense e na The Beast, Iron Maiden cover aqui na nossa cidade em que o Denis foi o vocalista por alguns períodos.

 

18 - Formação atual e planos para 2021?

A formação é Dalton Castro - guitarra, Denis Lima - vocais, Sama Benedet - baixo, Mauricio
Velasco - bateria
 
Temos pensamentos fortes para dar entrada no próximo trabalho de produção assim que a pandemia estiver controlada e for possível fazer tudo com segurança. Retomar os shows, e produzir novos videoclipes. Nosso maior desafio é o financeiro, pois a produção de disco é apenas um item dentro de um pacote que envolvem mais atividades que também requerem investimentos. Acredito que dessa vez adotaremos uma nova estratégia.

19 - Como entrar em contato com a banda? Obrigado pela entrevista!

Dalton - Mande-nos um email em [email protected] ou entre em contato conosco pelo instagram @ignited_official. Teremos o maior prazer em responder aos amigos!
 
Agradecemos a você, Rômulo! pelo seu interesse em conhecer mais sobre a banda e pelo seu tempo em elaborar as questões. Espero conversarmos novamente!

Fim da Entrevista

 

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